Bahia tem queda de católicos, crescimento de evangélicos e avanço das religiões de matriz africana, segundo o IBGE

Apesar da diminuição ao longo das décadas, católicos ainda são maioria; evangélicos crescem, religiões de matriz africana avançam e número de pessoas sem religião chama atenção no estado.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado nesta quarta-feira (21) reacende o debate sobre respeito, diversidade religiosa e liberdade de crença. A data foi instituída em homenagem à ialorixá Mãe Gilda, do terreiro Axé Abassá de Ogum, em Salvador, vítima de intolerância religiosa.

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Na Bahia, estado fortemente marcado pela diversidade cultural e religiosa, os dados do Censo Demográfico 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) retratam como a população baiana se distribui entre diversas religiões.
Católicos

Segundo dados do IBGE obtidos pelo portal Acorda Cidade, a Bahia ainda concentra uma das maiores populações católicas do país. Em 2022, o estado tinha cerca de 7 milhões de pessoas católicas com 10 anos ou mais, o terceiro maior número absoluto entre os estados brasileiros. Em proporção, os católicos representavam 57,0% da população, índice muito próximo da média do país (56,8%).

Gráfico de geração própria – Fonte dos dados: IBGE

Apesar de ser a maioria, a presença católica vem diminuindo ao longo das últimas décadas. Segundo o Instituto, em 2000, quase 75% dos baianos se declaravam católicos. Em 2010, o percentual caiu para 65,7%, chegando aos atuais 57,0% em 2022.

Alguns municípios do interior seguem fortemente católicos, como Botuporã e Tanque Novo, onde 93,8% da população declarou essa religião. Já Salvador aparece em posição oposta: a capital tinha apenas 44,0% de católicos, sendo a quinta capital menos católica do país.

Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

Evangélicos

O Ievantamento do IBGE indica que a religião evangélica está em expansão no estado. Em 2022, a Bahia registrou 2,869 milhões de evangélicos, o equivalente a 23,3% da população com 10 anos ou mais. Em 2000 eram 11,2% contra 17,1% em 2010. Mesmo assim, o estado ocupa apenas a 20ª posição nacional em proporção de evangélicos.

Gráfico de geração própria – Fonte dos dados: IBGE

O município de Mucuri, no extremo sul baiano, lidera esse ranking no estado, com 39,6% da população se declarando evangélica. Entre as capitais, Salvador tinha a sexta menor proporção de evangélicos, com 24,3%.


Foto Ilustrativa | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Religiões de matriz africana

Os dados do IBGE também evidenciam o fortalecimento das religiões de matriz africana, historicamente perseguidas e alvo de intolerância. Em 2022, a Bahia tinha a quarta maior proporção do país de adeptos da umbanda e do candomblé, com 1,0% da população. Em números absolutos, esse grupo quase triplicou em 12 anos, saltando de 42,9 mil pessoas em 2010 para 123,3 mil em 2022.

Santo Amaro (BA), 28/02/2023 – Terreiros de Santo Amaro (BA) se unem contra racismo. Māe Williana de Odé, posa para foto em seu terreiro Ilê axé Ojú Igbô Odé. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O município de Itaparica apresentou a maior proporção de adeptos dessas religiões no estado, com 6,3% da população. Salvador também se destaca nacionalmente, ocupando a terceira posição entre as capitais, com 2,8%, atrás apenas de Porto Alegre (RS) e Rio de Janeiro (RJ).

Espíritas

Outro grupo que mantém presença significativa é o dos espíritas. Segundo o Censo, 123,4 mil baianos se declararam seguidores do espiritismo em 2022, o que representa 1,0% da população estadual. O município de Barra do Mendes lidera nesse sentido, com 4,5% de espíritas.

Sem religião

Já o número de pessoas que afirmam não ter religião chama atenção. A Bahia possui a quarta maior proporção do país, com 12,9% da população, o equivalente a 1,586 milhão de pessoas. Salvador lidera entre as capitais brasileiras, com 18,5% da população sem religião.

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No interior, o destaque é o município de Jussari, no sul do estado, onde 34,6% da população declara não seguir nenhuma religião. O índice é o segundo maior do Brasil, ficando atrás apenas de Chuí, no Rio Grande do Sul.

Portal Regional Notícias, com informações da Agência Brasil.

Repórter Allan Emanuel

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