UFRJ enfrentou cortes orçamentários entre 2015 e 2016



Polilaminina devolve movimentos a vítimas de lesões graves
A polilaminina foi tema da reportagem especial “De volta ao próprio corpo”, publicada na Edição 296 da Revista Oeste. A matéria detalha o desenvolvimento da substância criada a partir da laminina, proteína natural do organismo aplicada experimentalmente em pacientes com lesão medular.
Produzida com base em material obtido da placenta humana e reorganizada em laboratório, a polilaminina tem como objetivo estimular o crescimento das fibras responsáveis por conduzir os impulsos cerebrais para o restante do corpo. Em lesões medulares graves, essas fibras se rompem, o que interrompe movimentos e sensibilidade.

Dra. Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora responsável pelo desenvolvimento da polilaminina | Foto: Artur Moês/UFRJ
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) perdeu a patente internacional da polilaminina depois da interrupção do pagamento das taxas de manutenção no exterior. Segundo a pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, responsável pelo desenvolvimento da substância, a perda ocorreu em razão de cortes orçamentários enfrentados pela universidade entre 2015 e 2016.
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) perdeu a patente internacional da polilaminina depois da interrupção do pagamento das taxas de manutenção no exterior. Segundo a pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, responsável pelo desenvolvimento da substância, a perda ocorreu em razão de cortes orçamentários enfrentados pela universidade entre 2015 e 2016.
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Tatiana afirmou que a patente foi solicitada em 2007, quando o projeto ainda estava em fase inicial, mas foi concedida apenas em 2025. “Demorou 18 anos”, conta, em entrevista que repercutiu nas redes sociais nos últimos dias. Como o prazo total de proteção é de 20 anos, restam apenas dois anos de exclusividade no Brasil.
“A UFRJ teve um corte de recursos, em particular foram muitos cortados na época de 2015 e 2016, aí não tinha dinheiro para pagar”, lembra. “Parou de pagar as patentes internacionais, perdemos tudo internacional e ficamos só com a nacional, que paguei do meu bolso por um ano, para não perder.”
Perguntada se seria possível retomar o registro internacional, Tatiana respondeu de forma direta: “Não pode, parou de pagar, perde”. Com a perda da proteção, empresas estrangeiras podem reproduzir a tecnologia sem restrições internacionais.
Com isso, apenas a patente brasileira permanece válida, mas por apenas mais dois anos. Tatiana esclareceu que, depois desse prazo, a exclusividade deixa de existir. “Depois que passa 20 anos, todo mundo pode produzir”, contou.
Tatiana afirmou que a patente foi solicitada em 2007, quando o projeto ainda estava em fase inicial, mas foi concedida apenas em 2025. “Demorou 18 anos”, conta, em entrevista que repercutiu nas redes sociais nos últimos dias. Como o prazo total de proteção é de 20 anos, restam apenas dois anos de exclusividade no Brasil.
“A UFRJ teve um corte de recursos, em particular foram muitos cortados na época de 2015 e 2016, aí não tinha dinheiro para pagar”, lembra. “Parou de pagar as patentes internacionais, perdemos tudo internacional e ficamos só com a nacional, que paguei do meu bolso por um ano, para não perder.”
Perguntada se seria possível retomar o registro internacional, Tatiana respondeu de forma direta: “Não pode, parou de pagar, perde”. Com a perda da proteção, empresas estrangeiras podem reproduzir a tecnologia sem restrições internacionais.
Com isso, apenas a patente brasileira permanece válida, mas por apenas mais dois anos. Tatiana esclareceu que, depois desse prazo, a exclusividade deixa de existir. “Depois que passa 20 anos, todo mundo pode produzir”, contou.

A UFRJ era denominada Universidade do Brasil e foi a primeira instituição oficial de ensino superior do país | Foto: Divulgação/UFRJ
Governo Dilma promoveu corte de gastos na educação
Os cortes mencionados pela pesquisadora ocorreram em 2015 e 2016, durante o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Logo no começo de 2015, o governo federal limitou os gastos dos ministérios por meio de decreto, em especial a pasta da Educação, que sofreu um corte de cerca de R$ 600 milhões por mês.
À época, universidades federais passaram a relatar dificuldades para manter contratos básicos de funcionamento. O Museu Nacional, ligado à UFRJ, chegou a fechar temporariamente por falta de recursos para pagar empresas responsáveis por vigilância e limpeza. Ao todo, o Ministério da Educação havia perdido R$ 10,5 bilhões em 2015, cerca de 10% do orçamento, em meio ao ajuste fiscal.
O ano ainda foi marcado por instabilidade na gestão do MEC. Em 2015, três ministros ocuparam a pasta: Cid Gomes permaneceu pouco mais de dois meses; Renato Janine Ribeiro ficou por cinco; e Aloizio Mercadante reassumiu o cargo em outubro daquele ano.
Governo Dilma promoveu corte de gastos na educação
Os cortes mencionados pela pesquisadora ocorreram em 2015 e 2016, durante o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Logo no começo de 2015, o governo federal limitou os gastos dos ministérios por meio de decreto, em especial a pasta da Educação, que sofreu um corte de cerca de R$ 600 milhões por mês.
À época, universidades federais passaram a relatar dificuldades para manter contratos básicos de funcionamento. O Museu Nacional, ligado à UFRJ, chegou a fechar temporariamente por falta de recursos para pagar empresas responsáveis por vigilância e limpeza. Ao todo, o Ministério da Educação havia perdido R$ 10,5 bilhões em 2015, cerca de 10% do orçamento, em meio ao ajuste fiscal.
O ano ainda foi marcado por instabilidade na gestão do MEC. Em 2015, três ministros ocuparam a pasta: Cid Gomes permaneceu pouco mais de dois meses; Renato Janine Ribeiro ficou por cinco; e Aloizio Mercadante reassumiu o cargo em outubro daquele ano.

A ex-presidente Dilma Rousseff, durante sessão do impeachment no Senado Federal – 29/08/2016 | Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
Polilaminina devolve movimentos a vítimas de lesões graves
A polilaminina foi tema da reportagem especial “De volta ao próprio corpo”, publicada na Edição 296 da Revista Oeste. A matéria detalha o desenvolvimento da substância criada a partir da laminina, proteína natural do organismo aplicada experimentalmente em pacientes com lesão medular.
Produzida com base em material obtido da placenta humana e reorganizada em laboratório, a polilaminina tem como objetivo estimular o crescimento das fibras responsáveis por conduzir os impulsos cerebrais para o restante do corpo. Em lesões medulares graves, essas fibras se rompem, o que interrompe movimentos e sensibilidade.
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Entre 2016 e 2021, oito pacientes com lesões classificadas como completas receberam a aplicação experimental durante cirurgia de descompressão da medula, em até 72 horas depois do trauma. Seis apresentaram recuperação parcial ou significativa de movimentos. Em testes com animais, também houve retomada da locomoção em diferentes graus.
A substância ainda não possui autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso comercial. O projeto aguarda o avanço das etapas clínicas necessárias para eventual registro.
Entre 2016 e 2021, oito pacientes com lesões classificadas como completas receberam a aplicação experimental durante cirurgia de descompressão da medula, em até 72 horas depois do trauma. Seis apresentaram recuperação parcial ou significativa de movimentos. Em testes com animais, também houve retomada da locomoção em diferentes graus.
A substância ainda não possui autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso comercial. O projeto aguarda o avanço das etapas clínicas necessárias para eventual registro.
Portal Regional Notícias, com informações da Revista Oeste.
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