Queda nas matrículas do ensino básico revela evasão escolar, falhas nas políticas públicas e desafios estruturais que o governo ainda não conseguiu enfrentar

Apenas dois estudantes do 1º ano assistem aula de geografia, após o início da atvidade às 7h30
(Foto: Lílian Marques/G1)
Apenas dois estudantes do 1º ano assistem aula de geografia, após o início da atvidade às 7h30
(Foto: Lílian Marques/G1)
O Brasil registrou a perda de mais de 1 milhão de estudantes matriculados na educação básica em apenas um ano, segundo dados do Censo Escolar divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. O número total de alunos caiu de aproximadamente 47,08 milhões em 2024 para cerca de 46 milhões em 2025.
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Gráfico mostra queda no número de matrículas na educação básica — Foto: Arte/g1
Representantes do governo têm atribuído parte dessa redução a fatores demográficos, como a queda na taxa de natalidade nas últimas décadas. De fato, o Brasil vive um processo de transição demográfica, com menos crianças nascendo ano após ano. No entanto, especialistas em políticas educacionais alertam que essa explicação não é suficiente para justificar a perda expressiva de estudantes no sistema de ensino.
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Ensino médio teve queda no número de matrículas — Foto: Arte/g1
Já o economista Ricardo Paes de Barros, também pesquisador do Insper e referência nacional em estudos sobre desigualdade social, alerta que a evasão escolar está diretamente ligada a problemas estruturais da educação pública, como baixa aprendizagem, desmotivação dos alunos e falta de políticas consistentes de permanência escolar.
A preocupação também é compartilhada por Priscila Cruz, presidente executiva da organização Todos Pela Educação. A entidade tem alertado que o Brasil corre o risco de ampliar ainda mais a desigualdade educacional se não enfrentar de forma efetiva o problema da evasão.
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São Paulo apresentou queda acentuada no número de matrículas — Foto: Arte/g1
Os dados mais recentes mostram que a redução nas matrículas ocorre principalmente nas redes públicas de ensino. Enquanto isso, escolas particulares registraram crescimento discreto no número de alunos, o que evidencia um movimento recorrente no país: famílias que têm condições financeiras acabam migrando para o ensino privado diante da perda de qualidade e da instabilidade do ensino público.
Especialistas também apontam que a evasão escolar tem múltiplas causas. Entre elas estão a necessidade de muitos jovens entrarem precocemente no mercado de trabalho, a falta de estrutura em parte das escolas públicas e a ausência de políticas educacionais capazes de tornar o ensino médio mais atrativo.
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Censo traz dados que mostram retração na educação infantil — Foto: Arte/g1
A queda de mais de 1 milhão de matrículas em apenas um ano acende um alerta importante sobre o futuro educacional do país. Jovens fora da escola têm mais dificuldade de acesso ao mercado de trabalho e menor qualificação profissional, o que compromete não apenas o desenvolvimento individual, mas também o crescimento econômico e social do Brasil.
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O levantamento faz parte do Censo Escolar, considerado o principal diagnóstico estatístico da educação no país. A redução de matrículas acontece em praticamente todas as etapas da educação básica, com destaque para o ensino médio, onde a evasão escolar continua sendo um dos maiores desafios do sistema educacional brasileiro.
O levantamento faz parte do Censo Escolar, considerado o principal diagnóstico estatístico da educação no país. A redução de matrículas acontece em praticamente todas as etapas da educação básica, com destaque para o ensino médio, onde a evasão escolar continua sendo um dos maiores desafios do sistema educacional brasileiro.
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Gráfico mostra queda no número de matrículas na educação básica — Foto: Arte/g1
Representantes do governo têm atribuído parte dessa redução a fatores demográficos, como a queda na taxa de natalidade nas últimas décadas. De fato, o Brasil vive um processo de transição demográfica, com menos crianças nascendo ano após ano. No entanto, especialistas em políticas educacionais alertam que essa explicação não é suficiente para justificar a perda expressiva de estudantes no sistema de ensino.
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Sala de aula vazia em escola pública — Foto: Divulgação
A especialista em educação Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getulio Vargas, tem apontado que o abandono escolar no ensino médio está ligado à falta de políticas eficazes capazes de manter os jovens na escola e oferecer um ensino que dialogue com a realidade dos estudantes.
Outro pesquisador da área, Naercio Menezes Filho, ligado ao Insper, destaca que muitos jovens deixam a escola porque não enxergam perspectivas concretas de retorno profissional ou econômico ao concluir os estudos.
A especialista em educação Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getulio Vargas, tem apontado que o abandono escolar no ensino médio está ligado à falta de políticas eficazes capazes de manter os jovens na escola e oferecer um ensino que dialogue com a realidade dos estudantes.
Outro pesquisador da área, Naercio Menezes Filho, ligado ao Insper, destaca que muitos jovens deixam a escola porque não enxergam perspectivas concretas de retorno profissional ou econômico ao concluir os estudos.
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Ensino médio teve queda no número de matrículas — Foto: Arte/g1
Já o economista Ricardo Paes de Barros, também pesquisador do Insper e referência nacional em estudos sobre desigualdade social, alerta que a evasão escolar está diretamente ligada a problemas estruturais da educação pública, como baixa aprendizagem, desmotivação dos alunos e falta de políticas consistentes de permanência escolar.
A preocupação também é compartilhada por Priscila Cruz, presidente executiva da organização Todos Pela Educação. A entidade tem alertado que o Brasil corre o risco de ampliar ainda mais a desigualdade educacional se não enfrentar de forma efetiva o problema da evasão.
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São Paulo apresentou queda acentuada no número de matrículas — Foto: Arte/g1
Os dados mais recentes mostram que a redução nas matrículas ocorre principalmente nas redes públicas de ensino. Enquanto isso, escolas particulares registraram crescimento discreto no número de alunos, o que evidencia um movimento recorrente no país: famílias que têm condições financeiras acabam migrando para o ensino privado diante da perda de qualidade e da instabilidade do ensino público.
Especialistas também apontam que a evasão escolar tem múltiplas causas. Entre elas estão a necessidade de muitos jovens entrarem precocemente no mercado de trabalho, a falta de estrutura em parte das escolas públicas e a ausência de políticas educacionais capazes de tornar o ensino médio mais atrativo.
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Censo traz dados que mostram retração na educação infantil — Foto: Arte/g1
A queda de mais de 1 milhão de matrículas em apenas um ano acende um alerta importante sobre o futuro educacional do país. Jovens fora da escola têm mais dificuldade de acesso ao mercado de trabalho e menor qualificação profissional, o que compromete não apenas o desenvolvimento individual, mas também o crescimento econômico e social do Brasil.
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Diante desse cenário, os números revelados pelo Censo Escolar indicam que o país enfrenta um problema estrutural que vai além das justificativas oficiais. A redução nas matrículas mostra que a educação básica brasileira continua enfrentando dificuldades para garantir que crianças e jovens não apenas ingressem na escola, mas permaneçam nela até a conclusão dos estudos.
Diante desse cenário, os números revelados pelo Censo Escolar indicam que o país enfrenta um problema estrutural que vai além das justificativas oficiais. A redução nas matrículas mostra que a educação básica brasileira continua enfrentando dificuldades para garantir que crianças e jovens não apenas ingressem na escola, mas permaneçam nela até a conclusão dos estudos.
Portal Regional Notícias, com informações do repórter Allan Emanuel e alguns dados colhidos do G1.
Tags
Educação
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